O papel da educação tecnológica para a formação dos youtubers mirins

1, mar 2019


O Ministério Público de São Paulo abriu recentemente um inquérito para pedir à Justiça que o Google, dono do YouTube, retirar do ar dezenas de vídeos de youtubers mirins

 

Sim, existem crianças influenciadoras digitais e youtubers mirins. E não são poucas. É cada vez mais comum encontrar um pequeno utilizando sua reputação em sites, blogs e redes sociais para alavancar produtos, serviços e eventos tanto na internet quanto fora dela. Recentemente, o Ministério Público de São Paulo abriu um inquérito para pedir à Justiça que o Google, dono do YouTube, retirar do ar dezenas de vídeos de youtubers mirins. O processo surgiu depois de uma série de denúncias alegando que empresas enviavam seus produtos para que as crianças gravassem vídeos e divulgassem, como se fossem promotores de venda.

Na opinião de Antônio Carlos Salles, diretor da Ctrl+Play, escola de programação e robótica para crianças e adolescentes, o fato da criança querer ser youtuber é apenas um reflexo da sociedade, que está exposta o tempo todo às tecnologias e sempre é bombardeada por informações divulgadas em diversas redes sociais. “Proibir não resolverá o problema das nossas crianças. Isolar e bloquear o uso não vai afastá-las do mundo virtual. Os pais precisam entender que o ideal para seus filhos é compreender o universo digital. É por isso que a família deve ter em mente que a tecnologia na educação não deve ser banalizada, mas sim usada de forma significativa e orientada, tendo em vista que a sociedade se comunica quase sempre através de teclados ou telas. Além de possibilitar a compreensão da linguagem do futuro, o uso da tecnologia ajuda a desenvolver diversas habilidades como raciocínio lógico, criatividade, trabalho em equipe e muito mais”, destaca.

Entenda a discussão

Na prática, a publicidade por intermédio de youtuber mirim promovia desafios aos seguidores vinculados a determinados brinquedos e personagens infantis. Durante a investigação inicial, o rol de canais de youtubers citados foi ampliado com alegação de apurar eventual abusividade na estratégia de publicidade e comunicação mercadológica dirigida às crianças, realizada por empresas através de canais de youtubers mirins. A ação cita mais de 15 empresas envolvidas no caso, denunciadas pelo Instituto Alana, ONG de defesa dos direitos das crianças.

De acordo com as denúncias, a franquia McDonald’s enviou brindes do McLanche Feliz para youtubers mirins divulgarem antes do lançamento do lanche, em 2015. Já em 2016, o Ministério Público investigou 15 empresas por vídeos em que as crianças mostram brinquedos, roupas e mochilas no unboxing. Em 2017, o Instituto denunciou uma promoção criada pela Mattel com a youtuber Julia Silva, na qual os seguidores dela participavam de um desafio e ganhavam produtos da franquia Monster High. Em nota, o Instituto Alana declarou que a propaganda se torna abusiva ao aproveitar-se da ingenuidade das crianças. “Pelo fato de a maioria das crianças acreditar no que ouve e vê, ela também acredita que o serviço anunciado vai realmente proporcionar-lhe os benefícios e os prazeres que a publicidade promete, mesmo que se trate de algo absolutamente irreal e impossível”, afirma.

Para Salles, independentemente da carreira profissional que o estudante escolher seguir, um curso de vídeo maker, nos dias de hoje, irá fazer com que ele tenha maior desenvoltura no mercado de trabalho futuro. “Muitas crianças desenvolvem incrivelmente suas competências de oratória e persuasão ao fazer vídeos e por isso acabam investindo na carreira de youtuber. Se tiver orientação, não vejo problemas de fazer dessas habilidades uma profissão. O que não pode acontecer é que essa ocupação atrapalhe as outras áreas da vida. Atualmente, se até as empresas pedem aos seus candidatos à uma vaga para enviar currículos no formato de vídeo, por que não ensiná-los a enfrentar uma câmera desde a infância. A recomendação da Ctrl+Play, nesses casos, é que a criança seja pelo menos alfabetizada”, pontua.

A Ctrl+Play

A Ctrl+Play é uma escola de programação e robótica para crianças e adolescentes, que acredita que em um mundo movido pela tecnologia. O importante é que os jovens compreendam as inovações e mais que isso, contribuam com a produção dessas tecnologias. O método de ensino de programação e robótica utiliza ferramentas de aprendizado desenvolvidas por instituições de renome como MIT (Massachussets Institute of Technology), Microsoft, Google, entre outras. Por meio de métodos interativos, como aplicativos, jogos e atividades unplugged (fora do computador), a Ctrl+Play ensina programação aos seus alunos de forma divertida, despertando interesse no aprendizado.

Para o próximo semestre, a novidade é que a escola vai oferecer um curso de vídeo maker (youtuber) para alunos de 07 a 18 anos. “As crianças e adolescentes são cada vez mais bombardeados por conteúdo em vídeo: na televisão, no cinema e, agora, no YouTube. Empoderar os jovens como criadores de conteúdo audiovisual é uma necessidade importante e abre diversas portas em um mundo cada vez mais midiático. Durante as aulas, os alunos aprenderão tudo sobre o universo da produção de vídeo, desde a idealização do conteúdo, sua capacitação e edição para a internet”, explica Salles.

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ASSESSORIA DE IMPRENSA: ETC COMUNICAÇÃO



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